Bauru

Tribuna do Leitor

Cileide Graciano Vicci

por Prof. Gilberto Sidney Vieira

06/06/2021 - 05h00

Estou agora olhando no retrovisor do tempo e garimpando na memória fatos pretéritos vividos por mim. Em janeiro de 1976 entreguei meu currículo numa escola particular de ensino em Bauru, onde almejava lecionar.

Dias depois recebi um telefonema da escola: era para ir até lá a fim de escolher aulas a serem atribuídas a mim. Fui. Eram aulas remanescentes depois da atribuição de todas aulas existentes aos docentes que já estavam lecionando na escola.

Atribuíram a mim, portanto, aulas de língua portuguesa recusadas por docentes que já lecionavam na casa. Em fevereiro participei de uma reunião pedagógica. Presentes todos docentes que iriam lecionar naquele ano. Faltando apenas uma semana para começar o ano letivo (março) recebo outro telefonema comunicando que simplesmente tornaram sem efeito a atribuição de aulas para mim.

Apesar de existir na escola um livro apropriado com as atribuições de tais aulas remanescentes(sobras) para mim. Diante de esdrúxula decisão arbitrária, só me restava acatar a decisão da escola. Porém, inconformado com o "status quo" gerado, resolvi ir até a escola. Munido só de cara e coragem. Já que nunca tive contato direto com a direção da escola. Chegando lá, tive a fortuna de me encontrar acidentalmente com ela num dos corredores da escola. Tal pessoa me era totalmente desconhecida. Mas muito simpática e sorridente. Ela me perguntou se poderia ajudar-me.

Contei meu problema. Ela me ouviu atentamente. Pediu, muito solícita, que aguardasse o retorno dela ali mesmo onde eu estava.

Aguardei uns 45 minutos. Aí ela apontou no corredor. Disse que houve uma reconsideração anulando-se o ato de retirar as aulas de mim. As aulas eram minhas. Então fiquei sabendo que ela era a coordenadora pedagógica para o 2º grau (magistério = formação de professores primários). Ela me deu o devido suporte na minha justa reivindicação, promovendo uma justiça salomônica. Agiu pela imediata reparação de ato injusto. Lecionei naquela escola de 1976 a 1984.

Fui obrigado a pedir demissão porque tinha sido nomeado, em julho de 1984, para ocupar cargo de provimento efetivo (mediante concurso público) de Prof. III numa escola pública estadual distante uns 300 km de Bauru. Nos 8 anos em que lecionei na escola particular em Bauru conheci melhor aquela excelsa figura humana, corroborando a primeira impressão que ficou dela. Um ser que tem luz própria. Um exemplo a ser imitado.

Sempre aqueceu o meu coração o "modus vivendi" de seres humanos como ela. Portanto, através do JC, embora tardiamente, estou tornando público meu profundo e eterno agradecimento para a conspícua mestra aqui homenageada merecidamente.

 

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