Bauru

Tribuna do Leitor

Diálogo entre pai e filha

por Carlos R. Ticiano

12/09/2021 - 04h50

No artigo anterior, Sérgio foi surpreendido pela sua filha Sophia, ao ser indagado - Papai como você conheceu a mamãe? Diante da curiosidade da filha, começou a narrativa até o ponto em que começaram a namorar. Como estava ficando tarde, exclamou - Vou deixar o restante para outro dia, pois tenho muito ainda a comentar.

Passado algumas semanas, Sophia tomada de curiosidade, não hesitou em perguntar - Papai! Continua contando como foi o dia a dia entre vocês, após o início do namoro! Como disse, foi maravilhoso conhecer a Sônia. Tive a oportunidade, através da descoberta do verdadeiro amor, de ampliar meus horizontes em todos os sentidos. Apesar do fato de não morarmos na mesma cidade, não foi um empecilho pra não ficarmos juntos.

Alguns finais de semana, ela ficava em Bauru, em outros eu viajava com ela pra Agudos. Na época, sua mãe cursava o quarto ano de Serviço Social, e seu pai, o terceiro ano de Administração de Empresas. O segundo semestre passou rápido, e com ele a festa de formatura da Sônia. Ainda tive a oportunidade de passar o natal de 1976 em Agudos, em companhia da Sônia e sua família.

Como ficou o namoro de vocês, no ano seguinte? Naquela época, o interior não dava muitas opções em determinadas atividades. Depois de vários contatos, Sônia descobriu através de uma colega de faculdade, que havia uma vaga na sua especialidade, justamente na empresa em que ela trabalhava. Sônia não hesitou e partiu pra cidade de Campinas.

O namoro, infelizmente acabou se transformando em apenas telefonemas, cartas, cartões postais e raros encontros. A convite de sua amiga, Sônia aceitou morar temporariamente em sua casa. Assim, foram poucos os finais de semana em que sua mãe passava por Bauru, pra irmos juntos pra Agudos. E mais raro ainda, foram as viagens que seu pai fez pra Campinas, em determinados finais de semana.

Terminado o ano, seu pai também se formou. Apesar de estar colocado, não hesitei em aceitar uma oportunidade que surgiu na área administrativa, na mesma empresa que sua mãe trabalhava. Não tendo mais motivos para retardar a nossa união, alugamos previamente um apartamento em Campinas, e nos casamos no civil, diante apenas de nossos pais. Finalmente juntos! Uma vida a dois, repleta de planos a serem realizados.

Como foi a vida de casados, papai? Como imaginávamos Sophia! Um amanhecer e anoitecer repleto de felicidades, de dois corações apaixonados e sincronizados, que batiam no mesmo compasso. Desta união de amor, fomos agraciados com a sua chegada. Uma garotinha, sensível, esperta e carinhosa, que chegou pra completar nossa felicidade. O tempo passou, os anos passaram e você cresceu, cada vez mais amorosa. No calendário, mais um final de ano se aproxima, e com ele, planos de passarmos as festas natalinas em Agudos.

Devito as atividades diferentes que tínhamos na empresa, acabei viajando com você, uma semana antes de sua mãe, para passarmos uns dias em Bauru com a minha família. Sônia, ficou de vir na semana seguinte. Numa manhã chuvosa e fria na região, depois de uma noite mal dormida, papai recebeu um telefonema da empresa em que trabalhávamos - Um acidente fatal de carro, ainda sem muitas explicações, vitimou nossa querida Sônia.

Neste instante, abracei-me a você Sophia e chorei. Tentei conter o choro para não te alarmar, mas você percebeu e perguntou - O que aconteceu com a mamãe, papai? Mamãe não vai poder mais viajar! Foi o que eu consegui responder. Neste instante, me senti desfalecer por inteiro, ao lembrar me dos sonhos indecifráveis que tive na noite anterior.

O encontro que induziu dois corações a palpitarem mais forte de emoção, se tornou um desencontro, ao abreviar pra sempre, o pulsar do coração de sua mãe. Só depois de um certo tempo, você foi aos poucos intendendo o que de fato tinha acontecido. Como já lhe disse Sophia - Você é um pedacinho da Sônia em minha vida...

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