Bauru

Tribuna do Leitor

O mais difícil

por Rafaela Rosa

22/09/2021 - 05h00

A parte mais complicada não foi perceber que ela estava sozinha no jogo, mas aceitar que não há mais nenhuma Fada Madrinha que vai pegá-la pela mão e a levar pra comer pastel no mercadão quando ela estiver triste. O mais difícil não foi segurar as lágrimas por tanto tempo, foi permitir que elas caíssem por ter certeza de uma vez por todas que o telefone não vai tocar, o e-mail não vai chegar e já se passou muito tempo para o velho sonho se realizar.

O que mais sufocou não foram as palavras engolidas, a raiva controlada ou o silêncio, mas sim a frieza que se tornou uma casca protetora e retirou o brilho que costumava enfeitar os olhos. A dor do corpo era o de menos, qualquer dose extra de Flanax solucionava. Entretanto, a alma estava estilhaçada. Faz um tempo que a vida dela perdeu a graça, os brilhinhos se foram e o guarda roupa não é mais tão florido como antes. Amadurecer tem destas coisas, depois de atravessar o inferno sozinha, é hipocrisia tentar ser como era antes.

As pessoas mudam, se afastam de uns e aprendem a conviver o mínimo possível com outros. No coração que já existiu uma mata, hoje é apenas um cemitério com flores secas. Viver dói, só que o mais destrutivo continua sendo a sensação de que a magia não vai voltar. O que antes era pó de estrela agora é só poeira!

 

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