Bauru

Tribuna do Leitor

Em nome da humanidade, tirem as máscaras!

por Ivan Garcia Goffi

10/10/2021 - 05h00

Não tenho medo da Covid. Nunca tive.

Entendo ser apenas mais uma, dentre tantas pestes que assolaram a humanidade, mas a maioria dos humanos chegou até aqui. O que temo é o pânico. Gente que surta, aquele surto que desafia a inteligência, a lógica, a racionalidade.

Temo aquele tipo de gente que, em desastres, mais atrapalha que ajuda, porque faz tudo errado.

No atual cenário, tenho pena das pessoas que não vão deixar a Covid acabar. São aquelas que, de carro ou a pé pelas ruas, não largam o bico de pato, o sofrível pano grudado no rosto.

Pode estar sozinha debaixo de um sol de 40 graus, mas o pano está grudado firme. Prendem-se à máscara com a mesma necessidade que o astronauta usa seu capacete, sem o qual a vida se esvai.

Sejamos sensatos: a máscara é o menos profilático meio de proteção. Se serve para algo, é para curtas distâncias, em ambiente confinado e sem circulação de ar, se e somente se alguém der um espirro.

Aliás, era assim que a ciência ensinava até dois anos atrás, quando era usada apenas por médicos e dentistas em cirurgias, na proximidade dos aerossóis expelidos. Éramos burros ou apenas agora somos inteligentes?

Vírus não flutua. Não é uma mosca. Não voa. Se sair num espirro, deposita-se em superfícies. Mas, no surto burro da hipocrisia, exigem que se entre de máscaras no restaurante, ande três metros, sente-se e tire a máscara.

Depois, você puxa a cadeira colocando a mão no inferior do mesmo assento que outro esteve sentado, mas (uau), você seguiu os protocolos da OMS.

Entra no ônibus, passa a mão no corrimão seboso, mexe no celular, mexe na bolsa, tateia a máscara (todo mundo faz isso, não?), chega em casa, lava as mãos (OMS!) e... mexe em tudo que esteve mexendo o dia todo. E essa é a pessoa que afirma que "se protegeu com a máscara".

Pior ainda. Nem no auge da pandemia, quando 90% dos óbitos eram de idosos com comorbidades e quando ainda havia um quadro de óbitos em evolução, havia tanta gente jovem mascarada.

Hoje, embora a maioria das pessoas esteja vacinada, a histeria coletiva do "vamos todos morrer" faz com que tantos ainda deem aquele ar sombrio, insano e doente ao dia-a-dia de uma sociedade que age bovinamente.

Também, não é para menos: quando se vê repórter da Globo fechado numa sala, usando máscara durante videoconferência com o Japão, ou repórteres ao ar livre, no meio de uma plantação, vestindo a focinheira de pano, realmente é impossível querer que essa neurose termine.

Sem desmerecer a dor alheia, os mais suscetíveis já foram e a vida segue seu curso. Sempre foi, é e sempre será assim.

Somos peças no jogo das tragédias naturais ou humanas, e isso é humanidade.

Mas, tenho pena de ver adolescentes morrendo de medo da Covid, todos enfiados em máscaras na porta das escolas, com seus pais igualmente neuróticos acreditando que só estão vivos por causa disso.

É triste. Isso sim é desumano.

Ler matéria completa

×