Bauru

Tribuna do Leitor

O poeta e o Rio Batalha

por Rafael Santana De Lima

21/11/2021 - 05h00

- Me permita, majestoso, uma séria indagação

Talvez seja inconveniente, mas não é reprovação

Vim pra Bauru moço, no final dos anos 60

Aqui nem existiam prédios que hoje Bauru ostenta

Me lembro que suas águas eram fartas e abundantes

Limpas iguais nunca vi e cardume de peixes saltitantes

Hoje te vejo cabisbaixo, sem vida, sem autoestima

As águas te abandonaram, nem as vejo daqui de cima

Me perdoe, amado Batalha, mas tenho que te dizer

Bauru sem você é nada, não pode sobreviver

Hoje mesmo numa rádio, assustado ouvi dizer

De você nada mais se espera, que o futuro é o Rio Tietê

- Amigo, que bom que você se lembra e mesmo

decepcionado me elogia

Sim, concordo, já fui garboso, cheio de vida e alegria

Essa cidade já me amou, enquanto eu a ela servia

Pescavam, banhavam, nadavam, vinham me ver todo dia

Mas pra que eu possa viver, preciso de alguns cuidados

A natureza é sábia, temos que viver irmanados

Pássaros, árvores, arbustos, protegendo os meus dois lados

Porém, as mesmas famílias hoje me tratam pior que bicho

Sugaram toda minha vida e me dão em troca o seu lixo

Assoreada e sem nascentes eu ainda teimo em respirar

Pois meu destino é servir, até minha última gota secar

- Diz aí o que eu faço pois pretendo te ajudar

Quero vê-lo transbordante, lindo de se orgulhar

Inda vou beber sua água agachado no seu leito

E sentir seu coração, pelas suas águas batendo em meu peito

- Eu vou te pedir, poeta, com toda minha emoção

Fale de mim pras crianças, me salvar só a educação

Nelas moram minha esperança, quero viver, use sua arte

Faz aí no papel o que puder, que eu vou fazendo aqui a minha parte.

Por favor, salvem o Rio batalha!

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