Bauru

Tribuna do Leitor

Uberização do sentimentos

por Paulo Neves

14/01/2022 - 05h00

Vivemos uma uberização dos advogados, médicos, trabalhadores, dos sentimentos, vivemos a precarização dos "uberianos", isto é, a situação a que os trabalhadores/trabalhadoras estão sendo submetidos. Temos o outro lado da mesma questão, afinal, esse trabalho precário que vemos todos os dias é tudo que restou para trabalhadores/trabalhadoras, que já tiveram melhores momentos na combalida História do Brasil.

Nesse novo ano, os trabalhadores não vão fazer muita coisa, já que seus direitos continuam desaparecendo, o que vemos é o trabalhador/trabalhadora ficando com a sua vida degradada no trabalho, sem ter para onde correr, afinal, estamos na era informacional-digital. Não vamos nos esquecer que com apoio dos deputados e senadores que foram eleitos com seu voto, com o meu voto, algumas dezenas de artigos da CLT foram vergonhosamente fraudados, com o sempre apoio do Centrão. Estamos caminhando para sermos uma Índia. E a velha e boa consciência de classe? Quando comecei a lecionar, há 50 anos atrás, falava para os meus alunos de cursinho sobre a necessidade da consciência de classe, hoje o que vemos é a devastação do direitos sociais, a financeirização sem limites da economia, o neoliberalismo extremado.

E a educação? Vivemos os novos modelos de educação, EAD, métodos ultra-modernos sem a interação de professor-aluno, que rompe vínculos humanos afetivos e de aproximação social-política-moral. E as relações humanas? Estão combalidas, individualizadas, solitárias, todos em volta de um celular a que tudo controla e dirige. Paixão. Sexo. Paquera. Já não existem mais, tudo quase sem contato, tudo a distância, tudo muito volátil, higiênico, incolor, inodoro, sem envolvimento, orientados por redes sociais e aplicativos. O que nos salvará da barbárie? Não sei! Talvez uma união geral dos lúcidos, dos conscientes, dos bons de coração, por aí... Mas é uma ideia remota! Só resta um Feliz 2022!

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