Bauru

Tribuna do Leitor

Almir Ribeiro

por Arthur Monteiro Junior

15/01/2022 - 05h00

Almir Ribeiro foi um dos melhores da minha geração. Com uma fina e intocável ironia, "desafinava o coro dos contentes"; com uma inteligência privilegiada, encontrava soluções onde muitos já não viam caminho; com uma aparente frieza, era um exemplo maior de solidariedade e coerência.

Conheci Almir ainda na década de 80 quando comecei, timidamente, a participar das reuniões do PT. Embora nossa diferença de idade seja pequena, ele já era um militante respeitado e radical (no melhor significado da palavra) e eu apenas um novato sonhador e reformista.

Ficamos amigos aos poucos e juntos participamos da heroica campanha eleitoral de 1988, ele como candidato a vice-prefeito e eu a vereador.

Os embates dentro e fora do partido nos aproximou não somente pela política, mas também pelas afinidades intelectuais, principalmente culturais e seu imenso conhecimento em história, música, cinema, entre tantas outras áreas, abriu-me caminhos e levaram-me a descobertas.

Deixou de ser apenas um amigo para também ser um farol a iluminar meus passos políticos e intelectuais. Com ele conheci a obra literária de Italo Calvino e filmes como "O baile", de Ettore Scola.

Nos últimos anos, embora afastado da militância partidária, jamais deixou de participar de todas as atividades políticas de rua que foram organizadas, ofertando um alento para velhos e novos militantes.

Sua partida, assim como a de Roque Ferreira, amigo em comum, deixaram-me meio órfão, sem horizonte, com a preocupação de que de fato fomos definitivamente derrotados. Finalizo com as palavras do companheiro e amigo Tauan Matheus, que muito me tocaram: "E lá se vai uma das últimas pessoas que me ligavam à algo que almeja ser... lá se vai o último incansável e imprescindível combatente da classe trabalhadora.

Não resta mais ninguém. Nem eu desejo ser mais nada".

Almir, presente! Agora e sempre!

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