Bauru

Tribuna do Leitor

"Quem pode mais..."

por Elton Gobbi - Jornalista e acadêmico de Gestão Pública

19/06/2022 - 05h00

O sistema de freios e contrapesos (francês Charles-Louis de Secondat, Baron de La Brede et de Montesquieu) deveria existir para que houvesse um equilíbrio entre os três poderes: Executivo (presidente, governadores e prefeitos), Legislativo (deputados, senadores e vereadores), Judiciário (Supremo Tribunal de Justiça - STF - e suas demais agremiações, como o STJ e TRFs). O legislativo deve elaborar as leis e fiscalizar o Executivo que, por sua vez, tem a obrigação de cuidar do povo e dos afazeres burocráticos da máquina pública. O Poder Judiciário aplica as leis, resolve conflitos, garantindo o direito individual, coletivo e social de todos os cidadãos, fiscalizando se estão sendo cumpridas as leis estabelecidas, executando justiça e protegendo a Constituição. Trabalhando em harmonia para o bem da população.

No entanto, o que parece, e eu posso estar enganado, é que há uma enorme disputa de poder, em que todos querem ser o "Maioral". Sabe quando se é criança e o dono da bola tem que jogar no melhor time, está sempre certo e ninguém pode falar nada ou ele leva a bola embora, estamos vivendo isso, a Constituição sendo deixada de lado, interpretações esdrúxulas e ninguém pode falar e fazer nada - censura, inversão de valores e tudo para benefício próprio. A falta de diálogo é visível (assim parece), uma queda de braço sem fim.

Nesse quesito levantado, o Legislativo vem aparecendo com um grande pesar, onde seus legisladores aparecem em escândalos de corrupção constantes, envolvidos em esquemas ou até se aproveitando da fragilidade de outras pessoas e nações, como aconteceu recentemente com o ex-deputado estadual cassado Arthur do Val, conhecido vulgarmente como Mamãe Falei, que supostamente se aproveitou da fragilidade das ucranianas para obter vantagem sobre a situação de pobreza da atual conjuntura do país que se encontra em confronto com a Rússia, (em suas palavras, mulheres lindas e fáceis devido à situação de extrema necessidade e pobreza). No último pleito ele teve mais de 450 mil votos diretos. Será que tem preparo para promulgar leis ou respectivos projetos? Esses são os representantes do povo ou precisamos nos ater mais ao conteúdo do indivíduo do que a meros likes e curtidas em redes sociais, não podemos ser rebanho ao exercer o direito ao voto, nossa maior arma contra a corrupção.

Tantos casos de políticos corruptos, presidentes, senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores e outros... Aqueles que têm o poder de legislar e fiscalizar, constantemente os vemos sendo alvos de investigações, pelas quais muitos sendo culpados e, pior, ainda continuam exercendo o mandato e se escoram no Foro Privilegiado, modificando leis eleitorais a cada 4 anos para melhor atendê-los. Isso precisa mudar, a falta de qualificação é muito grande, a lista de processos nesses CPFs é imensa, sim, há uma guerra entre honestos e corruptos, mas a população precisa ajudar. Há uma afirmação que diz que "todo povo tem o governante que merece" (do filósofo e conde francês Joseph-Marie de Maistre, 01/04/1753 a 26/02/1821), no entanto, a falta de conhecimento e o constante desinteresse das pessoas leva a um voto impensado, na minha singela opinião, "O voto é um ativo de médio e longo prazo, um investimento para o futuro, que afeta nosso presente!". Não se pode trocar o voto por nenhum tipo de vantagem, pois com ele deixamos um legado para o futuro de todos.

A cultura precisa ser remodelada em nosso país, a disseminação de direitos humanos e de obrigações políticas precisa ser passada a população, esse modelo novo de ensino onde não se repete de ano leva a pessoa a não se esforçar, a retirada de filosofia do ensino médio faz com que as pessoas deixem de exercer o pensar e essas leis são feitas pelos nossos políticos, deixando os menos favorecidos mais ignorantes, assim, fáceis de serem controlados.

Nosso país precisa amadurecer, chega de populistas, precisamos de fazedores, pensadores, políticos comprometidos com o patriotismo, com a população, com o país, as mudanças precisam acontecer, "a hora é agora!" e precisamos começar nas "urnas".

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