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Atitude

Que tal três xícaras de café por dia?

Estudo diz que consumo além desse limite aumenta risco de pressão alta em predispostos

por Evelin Azevedo

10/11/2019 - 06h00

Pixabay

Beber mais de 150ml aumenta em até quatro vezes o risco de pressão alta em predispostos

Um estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) mostra que o hábito de consumir mais do que três xícaras de café por dia - bebida tão amada pelos brasileiros - aumenta em até quatro vezes a chance de pessoas geneticamente predispostas apresentarem níveis elevados de pressão arterial. A pesquisa foi publicada na revista "Clinical Nutrition", da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo.

O trabalho analisou fatores genéticos, consumo de café e níveis de pressão arterial de 533 pessoas, com mais de 20 anos. Os dados foram baseados no Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (Isa-Capital 2008), estudo que abrange a área urbana da capital e avalia as condições de saúde dos moradores.

"Sabemos que a pressão arterial é influenciada por fatores externos, como a alimentação e o consumo de café, mas também pela genética. No estudo, procuramos saber como o café poderia influenciar na pressão de pessoas predispostas a ter hipertensão", explica Andreia Machado Miranda, pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) e primeira autora do artigo.

Na pesquisa, foram considerados como pressão alta valores acima de 140 por 90 milímetros de mercúrio (14 por 9). Nos resultados, não foi observada a associação significativa entre o café e os níveis de pressão arterial no caso de pessoas que consumiam até três xícaras ao dia, mesmo naquelas com predisposição. Porém, tomar mais que esta quantidade - que equivale a 150ml da bebida -, por dia, aumenta o risco de hipertensão nos predispostos.

"É preciso sequenciar o genoma para saber se há ou não predisposição para hipertensão. Como este exame não é acessível para a maior parte da população, a indicação é que todos façam um consumo moderado de café, ou seja, menos de três xícaras diárias", indica a pesquisadora, cujo trabalho foi apoiado pela Fapesp.

Beber com moderação faz bem para saúde

Por outro lado, suspender por completo o consumo de café não significa minimizar o risco de pressão arterial elevada. Um artigo anterior publicado pela mesma pesquisadora encontrou agentes benéficos na bebida.

"Os benefícios do consumo moderado do café se dão por causa dos polifenóis, compostos bioativos de origem vegetal que não são produzidos pelo organismo e por isso precisam ser adquiridos por meio da alimentação. Ele tem poder antioxidante, impede a formação de trombos (coagulação de sangue no interior do vaso sanguíneo) e promove a vasodilatação", lista Miranda.

Segundo a pesquisadora, estudos recentes mostraram que consumir moderadamente a bebida pode ajudar a prevenir a calcificação da artéria coronária. Já a ação sobre a pressão arterial, segundo Miranda, está relacionada à cafeína. "A cafeína pode estar associada à vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos) e ao aumento das concentrações de gordura no sangue", alerta a pesquisadora.

Resultado

Método

Para avaliar a possibilidade de ter hipertensão, os pesquisadores criaram um escore genético de risco. Com base em informações já descritas na literatura científica, foram identificados no rol de dados disponíveis no Isa-Capital 2008 quatro polimorfismos (variantes dos genes estudados) capazes de indicar predisposição para hipertensão. O escore genético de risco variava de zero a oito: cada um dos quatro polimorfismos tem pontuação de zero a oito.

Maior risco

As análises estatísticas mostraram que, à medida que aumentava o escore de risco e a  quantidade de café consumida, crescia também o risco de o indivíduo apresentar pressão alta.

Nos voluntários com pontuação mais elevada e consumo diário superior a três xícaras, a chance de hipertensão foi quatro vezes maior que a de pessoas sem predisposição genética.

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