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Bem na foto e mal na saúde mental

Especialistas dão dicas para pais de adolescentes; ditar horários é uma das regras

17/10/2021 - 05h00

Pixabay

A selfie nem sempre capta o que está por trás da imagem

O Wall Street Journal revelou na semana passada que pesquisadores do Instagram estudaram durante anos como seu aplicativo de compartilhamento de fotos afeta usuários jovens e descobriram que pode ser particularmente prejudicial para adolescentes, notícia que alarmou pais e legisladores.

Segundo a pesquisa, que não foi divulgada publicamente, o Instagram piora os problemas de imagem corporal para um em cada três adolescentes. E entre os que relataram pensamentos suicidas, "13% dos usuários britânicos e 6% dos usuários americanos rastrearam o desejo de se matar no Instagram", relatou o jornal.

O Facebook, dono do Instagram, emitiu um comunicado, dizendo em parte que "a pesquisa sobre o impacto da mídia social nas pessoas ainda está relativamente incipiente e em evolução" e que "nenhum estudo isolado será conclusivo". O Instagram observou em comunicado que as redes podem ter efeito de "gangorra", onde a mesma pessoa pode ter uma experiência negativa em um dia e positiva no outro.

Para alguns pais, as descobertas do estudo não foram necessariamente surpreendentes, dada a preponderância da plataforma de imagens alteradas e inatingíveis, mas levantou uma questão importante: o que podemos fazer para ajudar nossos filhos a ter uma relação mais saudável com as mídias sociais?

Vários especialistas têm recomendações a pais de adolescentes sobre como navegar nas redes sociais. Em vez de dar a seu filho um smartphone e permitir que ele baixe vários aplicativos de mídia social, considere permitir que seu ele troque mensagens de texto com um melhor amigo em um dispositivo familiar compartilhado para começar, sugeriu Devorah Heitner.

Em seguida, pense na idade mais adequada para seu filho começar a usar as redes sociais, levando em consideração sua personalidade, impulsividade e nível de maturidade. Permita que eles adicionem um aplicativo social quando estiverem prontos, disse Heitner, em vez de ir "de zero a 100".

Se sua filha tem problemas com a imagem corporal, por exemplo, talvez um aplicativo como o Instagram não seja adequado, disse Jean M. Twenge, professora de psicologia da San Diego State University e autor de "iGen", livro sobre adolescentes e jovens adultos e sua relação com a tecnologia.

Acesso ao celular não deve ser 24h

Quando você decidir que seus filhos estão prontos para ter seu próprio dispositivo, não dê a eles acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana, disseram os especialistas. Além disso, remova celulares, tablets ou outros dispositivos eletrônicos do quarto dele à noite. E se o ele usa o telefone como despertador, compre um despertador que não esteja conectado à internet.

Escolha uma plataforma e um período de tempo, acrescentou ela. Você poderia dizer, por exemplo, que seu filho pode usar o Instagram por 30 minutos por dia.

É importante que as crianças (e adultos) entendam que quanto mais prestamos atenção em nossos telefones, menos estamos investindo energia no resto de nossas vidas e, como resultado, "o resto de nossas vidas se torna menos interessante", disse Anna Lembke, autora de "Nação dopamina".

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