Bauru e grande região

Segundando

2018

por João Jabbour

01/01/2018 - 07h00

"Existirmos, a que será que se destina..."

Não serei otimista hoje apenas porque é o primeiro dia do ano.

Otimista sou demais, diariamente, com a existência, com o dom  da vida, com essa magistral explosão de átomos, íons e quarks que gera inteligência emocional, racional e espiritual nos seres vivos e seres inanimados.

Há motivos de sobra para sermos felizes sem precisarmos de muito mais do que a natureza das coisas nos oferece. Com boas doses de serenidade... muita serenidade.

Mas, atualmente, nesta virada de calendário, com o Brasil república não dá para ter boas expectativas de curto prazo. Até queria fazer uma crônica festiva, mas...

Meu saudoso pai Hanna, de sangue forjado no milenar Oriente Médio, sempre dizia, exibindo aborrecimento que não entendíamos nem sequer aceitávamos, que "o brasileiro não tem sangue e sim água correndo nas veias...".

E o Brasil de 40 anos atrás não era diferente deste em essência civilizatória, apesar dos atuais avanços da ciência e da tecnologia. Antes contrariado com aquela visão pessimista de meu pai, agora me pego pronunciando a mesma frase em momentos de extrema contrariedade com atos dos outros e de mim mesmo.

Veja apenas alguns exemplos nos últimos dias de 2017 da farra institucional neste país de tanta diversidade e pouca seriedade para ser uma Nação adulta: o tal Pizzolato livre ficou livre em apenas dois anos após pegar pena de quase 13 anos, lei da anistia de Temer para aliviar a vida dos corruptos já condenados e ter, em troca, apoio do medíocre e lamentável Congresso Nacional; deputado querendo proibir crianças de comer carne às segundas-feiras em escolas, embriaguez ao volante batendo recorde nas ruas e rodovias...

2017 prenuncia um 2018 pra lá de preocupante. A avalanche de turbulentos fatos políticos, jurídicos, econômicos e sociais dos últimos anos nos fez regredir a um patamar de subdesenvolvimento do qual tentamos nos livrar já há décadas, com diferentes grupos ocupando o poder central, mas poucos dando respostas verdadeiras e consequentes.

A governança federal segue movida a interesses dos amigos do 'rei', as reformas são arremedos de mudanças estruturais, os 3 poderes estão em avançado estágio de desequilíbrio e personalismo. As elites seguem as mesmas, pobres e terceiro-mundistas, e não há como ter uma expectativa diferente.

A violência, a desordem, o populismo e a corrupção são protagonistas em alta de um espetáculo deprimente em rede nacional, todos os dias.

Enfim, este texto, hoje, deve estar chato demais, mas serve, ao menos, para lembrar que teremos muito a fazer nos próximos tempos por nós mesmos, nossas famílias e nossa nação.

Relaxemos ainda hoje, 'dia de ano', e nos dias de férias que se seguem (para quem pode tê-las em paz), mas, depois, arregacemos as mangas e trabalhemos, que seja para nós mesmos, mas de preferência em prol da coletividade também. E lutar em uma organização social e/ou política que tenha força para provocar rupturas no modo de vida e na cultura do improviso brasileira.

Não há outro caminho a não ser persistir e lutar, com 'ânimo novo', como propõe o oportuníssimo slogan da campanha de final de ano do JC. Que nos transmutemos da água para o vinho, nem que seja daqui a 100 anos, mas que comece em 2018! Senão, a vida não será perenemente feliz, limitando-se a rompantes de prazeres fugazes.

Não basta só querer e desejar. Temos de agir! 

Gostei desta, entre muitas mensagens que recebi nos últimos dias: "Shakespeare dizia: Eu sempre me sinto feliz, sabe por quê? Porque não espero nada de ninguém, expectativas sempre machucam... a vida é curta, então ame a sua vida, seja feliz... E mantenha sempre um sorriso no rosto. Viva a vida para você e antes de falar, escute. Antes de escrever, pense. Antes de gastar, ganhe. Antes de orar, perdoe. Antes de magoar, sinta. Antes de odiar, ame. Antes de desistir, tente. Antes de morrer, Viva!"