Bauru e grande região

Segundando

Nossa nova adolescência!

por João Jabbour

17/06/2018 - 07h00

Minha geração (a dos cinquentões), a dos sessentões e mesmo a turma dos setentões e oitentões andam saidinhas e empolgadas com essa etapa sem igual da vida, que propicia a quem a cultiva uma alquimia de saúde ainda em ordem com sabores indizíveis da maturidade.

Assim, esse bando incorrigível de senhores assanhados, notadamente os da geração baby boomer (nascidos de 1945 até 1965), começa a retardar ao máximo a entrada na chamada fase do envelhecimento, que talvez nem exista mais. As mulheres destas faixas, então, nem se fale, é outra conversa, eis que elas se cuidam bem melhor do que nós há muito, mas muito mais tempo.

Os homens grisalhos e prateados, estamos vivenciando, hoje em dia, discretamente, como convém a quem já viu pelo menos umas 13 copas do mundo, uma experiência recente na história do homem brasileiro. Descobrimos que ter 50, 60, 70 não significa parar com tudo e apenas contar o tempo. Na verdade, como bem definiu a jornalista Aida Veiga, em uma reportagem na Revista Época, estamos vivenciando uma espécie de nova adolescência.

Estamos rebeldes novamente, inquietos, contestadores, aceitando trocar de emprego sem grandes dramas, a mil por hora nas academias de fitness e nos salões de beleza e barbearias, liderando entidades, empresas ou organizações e dispostos a fazer curadoria diante de crises agudas nos mais diversos setores da vida ou simplesmente quando um amigo ou parente precisa.

De novo, adolescentes! Quem diria, hein, Cássio Carvalho, Ricardo Coube, José Jacomelli, Arthur Guedes, Érico Braga, Eduardo Pegoraro, Veríssimo Barbeiro, Moacyr Caram, Marcelo Borges, Renato Zaiden, Cláudio Ricci, Olival Miziara, Caio Coube, Paulinho Caserio, Antonio Pedroso, Jad Zogheib, Orlando Costa Dias, Alberto Consolaro, João Cabreira, Milton Simão, Zarcillo Barbosa, Paulo Neves, Airton Martinez, João Tidei de Lima, Toninho Gimenes, Eric Fabris, Pedro Tobias, Leonardo de Brito, Paulo Cesar Razuk, Jorge Soares, Toninho Garms, irmãos Dabus, Jadir Gabriele, Rubens Cury, Gobinho, Eduardo Gebara, Massad K. Massad, William Jacob, entre tantos e tantos 'garotões' que encheriam esta página.

Pois é desta forma, segundo a mesma reportagem de Época, que os médicos norte-americanos estão definindo essa etapa madura da vida no século 21. 'Algo de revolucionário tinha de acontecer quando a geração dos baby boomers envelhecesse', disse Mark Freedman, consultor do governo americano para assuntos de maturidade.

Os boomers são a geração que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial e protagonizou o movimento hippie, a revolução sexual e a revolução feminista, cresceu e atuou em grandes mudanças políticas, sociais e culturais. 'Ao invés de diminuir o passo, agora eles estão acelerando, correndo atrás de novos objetivos: uma segunda carreira, outra parceria, a concretização de um sonho de infância...', explica Freedman.

O filósofo Heráclito dizia que 'a duração de uma geração é de trinta anos, espaço de tempo no qual o pai vê seu filho capaz de engendrar'. Já a Bíblia Sagrada determina o período de 40 anos como correspondendo à duração de uma geração.

A geração dos boomers e todas as demais podem se encaixar nas duas definições. Mas o interessante, no caso dos boomers, é que podemos estar protagonizando mais uma ruptura de padrões: o de que temos de, forçosamente, a partir de certa idade, botar touca, meias de lã e pijama e ficar em casa contando o tempo que falta.

Não há embutida nesta ciranda evolutiva nenhuma negação aos ciclos naturais do envelhecimento e depois a morte, que devem ser encarados da forma mais autêntica possível. Não precisam significar nenhum martírio se não quisermos que seja assim em nossas mentes e corações.

Claro que há problemas a encarar, o medo do câncer, do infarto, do Parkinson, a morte de amigos ou cônjuges e as próprias doenças em si, mas não é nada do que não sabemos, e cada qual deve se preparar a seu modo.

O fato é que cinquentões, sessentões e setentões estão fazendo uso do bônus que os avanços da ciência e da própria civilização propiciam.

Com todo direito. Porque é proibido proibir a busca da felicidade.