Bauru e grande região

Segundando

Hora da política

por João Jabbour

08/07/2018 - 07h00

A Copa do Mundo perdeu a graça e agora temos de pensar na política novamente, apesar da ojeriza generalizada, de nossa aversão a esse mundo cão.

Pelo menos em tese, uma cidade ou um país se faz com o povo nas rédeas de suas instituições e a política segue sendo uma delas. A regra da democracia é clara. Então, vamos lá, tomemos um Dramin e passemos a pensar em algo importante para nós, enquanto bauruenses: quais e quantos representantes locais elegeremos para exercer mandatos de deputado estadual e deputado federal a partir de 2019?

Também é necessário refletir sobre o Estado e o País que desejamos, a quem vamos direcionar nossos votos e, posteriormente, como faremos a vigilância e as cobranças. E, eventualmente, para quem vamos trabalhar, exercitando a atividade de discutir soluções para o presente e o futuro direto na fonte.

Sempre que se aproxima uma eleição como essa, somos instados, no JC, a fazer uma campanha pelo voto exclusivo nos candidatos da cidade. Obviamente que estamos inseridos na ansiedade geral por maior representatividade e queremos, eleição após eleição, que aumentemos nosso peso político em São Paulo e Brasília. Mas entendemos que uma postura 'xenofóbica' em nada contribui para o processo eleitoral, que é a expressão máxima da liberdade de escolha política de cada cidadão.

Mais importante do que tentar impor uma regra excludente e limitadora em um ambiente de liberdade é conclamar o eleitor às reflexões mais amplas e razoáveis que ele puder fazer nos próximos três meses que nos separam da eleição de 7 de outubro.

E essa discussão deve passar, inclusive, por entendermos o que um deputado faz com seu mandato. Sim, sei que no papel é bacana a nobreza da função que Constituição reserva aos parlamentares, mas na prática o que acaba prevalecendo é o jogo de influências e pressões na hora de repartir o bolo do escasso dinheiro público. Mas não podemos nivelar a discussão por baixo.

Aliás, vivemos um momento em que não adianta ficar sonhando com o chamado 'dinheiro a fundo perdido', aquele pelo qual não precisamos pagar, porque nos próximos anos o Estado brasileiro, de uma forma geral, muito pouco contribuirá com as cidades. Cada futuro detentor de mandato, seja legislativo ou executivo, terá de ter muita competência e coragem para adotar medidas visando mitigar a quebradeira geral de municípios, estados e da própria União.

Não será por falta de opções que os bauruenses não elegerão representantes na Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Na última contagem, feita domingo passado pela coluna Entrelinhas, tínhamos 26 pretendentes a deputado. Certo que, destes, deverão restar metade ao final do processo de inscrição.

Por sinal, é bom tentar identificar, antes mesmo da escolha, quais dos pré-candidatos estão nesta disputa apenas para angariar visibilidade e algum capital eleitoral para eleições futuras. Também, quais deles estão no processo só para levar vantagem pessoal durante o período, prática que se tornou comum nas campanhas eleitorais mais recentes.

E, por fim, o mais importante: quais, de fato, dos que se apresentam, por suas qualificações pessoais, histórico e posturas públicas têm condições de receber a confiança de cada um de nós.

Parêntese: louvável a disposição dos pré-candidatos em deixar, parcial ou totalmente, seus afazeres pessoais para oferecerem-se ao serviço público. Hoje em dia, é um ato de relativa coragem se expor à selvageria antiética e, por vezes (muitas vezes), ilegal em que a prática política foi mergulhada.

Claro que tudo isso demanda algum esforço do eleitor. Mas nada do que é necessário na vida vem na forma de melzinho na chupeta. São inúmeras as formas de se travar um contato mais próximo com cada candidatura local e dissecá-la.

Mas, talvez, antes disso, seja preciso que despertemos para uma realidade que salta aos olhos: interessemo-nos pela política ou gente da pior espécie o fará por nós. E depois... depois só restará a reclamação, descontextualizada e sem sentido prático algum.

"Os políticos não conhecem o ódio nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento." Philip Chesterfield.