Bauru e grande região

Segundando

Saudade de agosto...

por João Jabbour

09/09/2018 - 07h00

Domingo passado escrevi aqui sobre o "terrível" agosto, enumerando fatos e mais fatos que marcam este mês ao longo da história (https://www.jcnet.com.br/Segundando/2018/09/adeus-agosto.html). Fui motivado pelo sufoco que a Bia, minha colega de redação, passa durante o oitavo período do calendário gregoriano. No final do texto, singela e romanticamente, imaginei um setembro bem melhor ("Quando entrar setembro// e a boa nova andar nos campos..."), cheio de luz e alegria.

"Não prestou", como diz um amigo.

Queimei a língua!

Setembro está, literalmente, inflamado.

Logo no segundo dia deste mês 9 o fogo consumiu 200 anos de história no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. No dia 5, um terrível ataque a bancos no centro de Bauru apavorou a população. E no dia 6 esfaquearam o candidato a presidente da República Jair Bolsonaro.

Mas a turbulência começou mais cedo.

Já de cara, no dia 1 de setembro, tivemos notícias desagradáveis. Como a constatação de que, a se manter neste ritmo, o Brasil terá seu pior ciclo de crescimento em 100 anos. E com a informação de que Trump prepara a deportação de 300 mil imigrantes que vivem legalmente nos Estados Unidos. Eles não terão o visto de permanência renovado.

Sem falar que Noroeste e Corinthians, que fizeram aniversário no dia 1, jogaram em seus estádios e não conseguiram ganhar de seus adversários, complicando-se na Copa Paulista e no Campeonato Brasileiro, respectivamente. Uma tristeza...

Estamos apenas no começo do mês e já aconteceu tudo isso.

A única esperança de dias melhores que estou vendo neste momento baseia-se em Pitágoras, o maior estudioso dos números da história. Ele afirmava que tudo no universo está sujeito a ciclos progressivos prognosticáveis e que as formas de se medir esses ciclos são os números de 1 a 9. Nove significa novo e, assim sendo, marca o final de um ciclo e o início de outro. Ao atingir o nove estamos prontos para devolver ao universo alguma parte daquilo que se aprendeu através dos oito passos anteriores.

Bom, é claro que há muito de brincadeira e de mística em tudo isso. Só que a maior parte dos fatos relatados nesta e na crônica da semana passada são muito sérios e merecem toda a atenção e atitudes dos brasileiros.

O atentado contra um candidato a presidente da República, por exemplo, é algo muito grave, ainda que possa ter sido, se é que foi, um ato isolado de um desequilibrado mental. Está marcando com sangue uma época de intolerância de que vimos falando aqui já não é de hoje.

Vi e ouvi reações de toda sorte quanto ao fato. Teve gente que, para variar na imbecilidade, colocou a emoção à frente da razão e aplaudiu o ataque contra Bolsonaro, até externando uma satisfação incontida. A estes, a história ensina que não se trata apenas da vida de um homem, mas de uma situação de conflagração que beira à insanidade por meras motivações passionais, sem limites e sem nexo com o lógico, com o razoável e com o consequente. Por causas que, todas elas, revelam-se cheias de defeitos e contradições, de um lado e de outro.

Não que as grandes rupturas não possam ser ou não tenham sido o motor de significativas mudanças em épocas e povos diferentes, mas sempre se deram a partir de um complexo de causas e efeitos muito bem tensionados e conduzidos, e não por mera provocação ou desejos mesquinhos e covardes de pessoas sem noção de como é árduo, dessemelhante e demorado o processo de mudança de um país.

Acho que não preciso dizer aqui que não sou adepto do "Bolsonarismo". Aliás, a essa altura da vida, de nenhum "ismo", justamente para não incorrer no pior dos "ismos", o fanatismo.

O que precisamos são ideias e atitudes ponderadas que nos levem à reflexão e ações firmes, particulares e coletivas, para que encontremos uma unidade enquanto povo e, assim, as almejadas soluções de curto, médio e longo prazo.

Unidade não significa união nem que todos devem pensar igual. Não!

Unidade aqui é no sentido de junção de componentes com uma determinada homogeneidade ou identidade, ou seja, aquilo que é caro a todos e pelo que devemos lutar juntos. Como a dignidade, justiça, paz, desenvolvimento econômico, enfim, um projeto de país que nos faça mais civilizados.